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Qual o seu Nível de Empregabilidade ?

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15 mar Qual o seu Nível de Empregabilidade ?

Por Otávio Borges – Gerente de Infraestrutura de TI da Seguros Unimed.

“Em 2005, após quase 15 anos de experiência profissional na área de TI, fui dispensado da empresa na qual trabalhava havia 8 anos. Durante quase 3 meses só encontrava recolocação com valores abaixo de 50% do que eu ganhava como CLT. Acabei tomando a decisão de abrir um negocio próprio, um pequeno comércio varejista, no qual trabalhei durante 4 anos. O começo foi difícil, em 8 meses atingi um ponto de equilíbrio com períodos de altos e baixos, mas quebrei em 2009 enquanto investia uma pequena reserva em um novo negócio ao mesmo tempo em que a crise do ano anterior fez com que meu faturamento despencasse 70% durante 6 longos e tenebrosos meses, não importava o que fazia para tentar reverter a situação. Perdi bens, contraí dívidas e voltei para o mercado de trabalho na área de TI como CLT e salário 30% menor do que ganhava 4 anos antes. Neste período tive que me reinventar, fiz alguns cursos, estive constantemente observando o mercado e me dediquei sem medir esforços. Somente em 2012 voltei a atingir um patamar salarial compatível com minhas necessidades.

Desde que comecei minha carreira observo esta movimentação continua das empresas por redução geral de custos e também dos salários, principalmente aqueles mais altos. Algumas empresas extinguem durante algum tempo o cargo de gestor e “usam” um sênior da área como “jégue”, com uma vara amarrada passando por cima de sua cabeça e lá na frente uma cenoura pendurada. Sugam o coitado até não poderem mais, alguns aumentos que servem como um copo d’água no meio do deserto, adiamento constante da prometida promoção cada vez por motivo diferente, até que a situação não se sustenta mais. Aí em geral ocorre uma grande reestruturação da empresa, chega gente de fora mais nova e ganhando menos, e como o universo um novo ciclo se reinicia.

É fato que as chances para os mais experientes vão se mostrando cada vez menos frequentes, uma porque estamos chegando ao topo da pirâmide e outra porque os mais novos estão em nossa retaguarda esperando apenas a próxima curva para atrasarem a frenagem e nos ultrapassar. Um amigo comentou enquanto falávamos sobre o tema: “Concordo! Mas não deixa de ser estranho uma consultoria de RH recrutar gerente de TI oferecendo salário de analista.”. Eles só oferece porque tem quem aceita, e o contrário também é verdade, tem muito analista em empresas por aí ganhando mais do que eu ganho como Gerente.

Por este motivo lancei em um grupo de CIOs que participo um conceito de ideia que pode se aplicar a qualquer ramo de negócio: Cooperação. Sugeri viabilizarmos um grupo de compras para alguns tipos de serviços ou produtos de TI, mas de uma forma que somente os profissionais deste grupo, independente de onde estejam trabalhando, é que poderão participar. Estou falando, por exemplo, de tarifa de telefonia fixa e móvel, computadores e notebook, isso que consumimos continuamente, e só pra começar. Com esta estratégia o volume nas negociações aumentaria exponencialmente, fazendo com que trouxéssemos grande economia para as empresas participantes (aquelas nas quais atuamos), todos os anos, muito maiores do que nossos salários.

Isto é aumentar nosso nível de empregabilidade!

Infelizmente isto ainda não é percebido nas corporações. Ou ainda, muitas vezes é percebido como uma ameaça às outras áreas, quando na realidade é uma excelente oportunidade para a Companhia como um todo. Se fizermos uma pesquisa quantos de nós apresentam aos acionistas os custos que foram reduzidos durante o ano? Ou após a conclusão de cada projeto? Acredito que menos da metade. Não porque os demais não tenham esta preocupação, mas por que não são cobrados por estes indicadores e acabam se afundando nas atividades do dia-a-dia, com as quais já estão sobrecarregados. Mas isso já é tema para outro artigo…”